Fenomenos atmosféricos
O essencial em 3 pontos:
  • Portugal está numa zona sísmica ativa (fronteira das placas Euro-Asiática e Africana, zona Açores-Gibraltar) e registou sismos sentidos pela população em agosto de 2024 e fevereiro de 2025. 
  • Apenas 19% das habitações portuguesas têm seguro com cobertura de risco sísmico (dados de 2023, Associação Portuguesa de Seguradores), a grande maioria das casas não está financeiramente protegida.
  • Preparar a casa passa por três ações concretas: fixar móveis e objetos, conhecer a regra "Baixar, Proteger, Aguardar" e confirmar que a apólice de seguro inclui cobertura de fenómenos sísmicos.

Risco sísmico é a probabilidade de um sismo causar danos significativos numa determinada zona, tendo em conta a frequência dos abalos, o tipo de solo e a vulnerabilidade das construções.

Portugal Continental, os Açores e a Madeira estão expostos a este risco porque o território se situa junto à fronteira entre as placas Euro-Asiática e Africana — uma faixa de atividade tectónica conhecida como zona Açores-Gibraltar.

A história confirma-o. O terramoto de 1755 destruiu grande parte de Lisboa e do Algarve. O sismo de 28 de fevereiro de 1969, com magnitude 7.9 na escala de Richter, é considerado pelo IPMA como o último grande sismo em Portugal Continental no século XX. Mais recentemente, o sismo de agosto de 2024 (a oeste de Sines) e o de fevereiro de 2025 (na Grande Lisboa) voltaram a ser sentidos pela população.

Ter consciência deste risco não obriga a viver em alerta permanente. Obriga, sim, a tomar decisões informadas sobre a casa, a preparação e o seguro.

Avaliar o risco sísmico de uma habitação é perceber que fatores podem agravar os danos caso ocorra um abalo. Não se trata de prever sismo, trata-se de identificar vulnerabilidades.

Que aspetos deve analisar? 

  • Localização da casa: algumas zonas do país têm maior perigosidade sísmica, como Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Açores.
  • Ano de construção: as casas mais antigas podem não ter sido preparadas para resistir a sismos da mesma forma que as construções mais recentes.
  • Tipo de construção: edifícios de alvenaria antiga, estruturas degradadas ou construções com alterações estruturais podem exigir maior atenção.
  • Estado de conservação: fissuras, degradação visível ou obras mal executadas podem aumentar a vulnerabilidade de uma construção.
  • Capital seguro: um valor desatualizado no seguro casa pode não ser suficiente para reparar ou reconstruir a habitação em caso de danos graves.

Se vive num edifício antigo, está a fazer obras ou tem dúvidas sobre a segurança da estrutura, pode pedir uma avaliação a um engenheiro civil especializado em estruturas. Este profissional consegue analisar se a casa apresenta fragilidades relevantes em caso de sismo.

Não é possível evitar um sismo, mas é possível reduzir os danos. Muitas medidas são simples e não exigem investimento significativo.

  • Fixe móveis altos, estantes, armários e objetos pesados à parede.
  • Coloque objetos pesados nas prateleiras mais baixas.
  • Evite colocar espelhos, quadros pesados ou prateleiras por cima de camas e sofás.
  • Saiba onde estão os pontos de corte de água, eletricidade e gás.
  • Prepare uma pequena mochila de emergência com lanterna, pilhas, rádio, primeiros socorros, medicamentos essenciais e cópias de documentos.
  • Defina um ponto de encontro familiar para o caso de não estarem todos em casa.

A regra principal é simples: Baixar, Proteger e Aguardar. São os três gestos promovidos pela iniciativa A Terra Treme, organizada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para sensibilizar a população para o risco sísmico.

Se estiver dentro de casa:

  • baixe-se para evitar cair e proteja a cabeça e o pescoço;
  • abrigue-se debaixo de uma mesa resistente, se possível;
  • afaste-se de janelas, espelhos, armários e objetos que possam cair;
  • não utilize elevadores.

Se estiver na rua:

  • afaste-se de edifícios, postes, muros, árvores e cabos elétricos;
  • procure uma zona aberta;
  • mantenha a calma e aguarde que o abalo termine.
  • Verifique se há feridos e peça ajuda apenas em caso de emergência.
  • Corte a água, eletricidade e gás se houver suspeita de fuga ou dano.
  • Não acenda fósforos ou isqueiros se sentir cheiro a gás.
  • Evite usar o telefone, as redes ficam sobrecarregadas e devem ficar livres para emergências.
  • Esteja atento a possíveis réplicas.
  • Siga as indicações da Proteção Civil (rádio ou tv).

Ter um seguro multirriscos habitação não significa, automaticamente, estar protegido contra danos causados por sismos. A cobertura de fenómenos sísmicos é facultativa e deve estar contratada para que estes danos possam estar cobertos.

Esta cobertura pode ajudar a suportar os prejuízos provocados por um sismo na habitação, no recheio ou em ambos, consoante o que estiver previsto na apólice.

Segundo dados de 2023 da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), apenas 19% das habitações em Portugal têm esta cobertura contratada. Ou seja: mais de 4 em cada 5 casas não estão financeiramente protegidas contra danos de sismos.

Ao rever o seguro casa, confirme:

  • se tem cobertura de fenómenos sísmicos;
  • se a proteção inclui edifício, recheio ou ambos;
  • se o capital seguro está atualizado;
  • qual é a franquia aplicável;
  • que exclusões e limites estão previstos;
  • se existem coberturas complementares, como remoção de escombros, demolição ou alojamento temporário, quando disponíveis.

Em caso de dúvida, fale com o seu mediador ou segurador para perceber se a apólice está adequada às suas necessidades.

 
  • Falar de sismos é uma forma de tomar decisões mais conscientes: em casa, na forma como nos preparamos e na proteção que escolhemos. 
  • Portugal tem risco sísmico, mas também tem conhecimento técnico, entidades de referência e recomendações claras de autoproteção. O essencial é transformar esse conhecimento em pequenos gestos: rever a casa, fixar objetos, conhecer as regras básicas de segurança e confirmar se o seguro inclui a cobertura certa.

  • Porque, quando falamos da nossa casa, prevenir continua a ser uma das melhores formas de proteger o que é mais importante.

Este artigo tem um caráter informativo e não substitui a consulta das condições contratuais da sua apólice. Publicado em julho de 2026
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