Fenomenos atmosféricos

O recente sismo na Venezuela voltou a lembrar-nos que estes fenómenos podem acontecer de forma súbita. E trouxe também uma pergunta importante: estamos preparados para um abalo sísmico?

Em Portugal, este tema merece atenção. O país está localizado numa zona com atividade sísmica relevante, associada à fronteira entre as placas Euro-Asiática e Africana, conhecida como zona Açores-Gibraltar.

A própria história mostra que o risco existe. O terramoto de 1755 marcou Lisboa e o Algarve, e o sismo de 1969 é considerado pelo IPMA como o último grande sismo ocorrido em Portugal Continental no século XX. Nos últimos anos, também foram sentidos sismos relevantes, como o de agosto de 2024, a oeste de Sines, e o de fevereiro de 2025, na Grande Lisboa.

Isto não significa viver em alerta permanente. Significa estar informado, preparar melhor a casa e perceber se o seguro que temos oferece a proteção certa.

Avaliar o risco sísmico de uma habitação não significa tentar prever quando acontecerá um sismo. Significa perceber que fatores podem influenciar os danos na sua casa, caso ocorra um abalo.

Que aspetos deve analisar? 

  • Localização da casa: algumas zonas do país têm maior perigosidade sísmica, como Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Açores.
  • Ano de construção: as casas mais antigas podem não ter sido preparadas para resistir a sismos da mesma forma que as construções mais recentes.
  • Tipo de construção: edifícios de alvenaria antiga, estruturas degradadas ou construções com alterações estruturais podem exigir maior atenção.
  • Estado de conservação: fissuras, degradação visível ou obras mal executadas podem aumentar a vulnerabilidade de uma construção.
  • Capital seguro: um valor desatualizado no seguro casa pode não ser suficiente para reparar ou reconstruir a habitação em caso de danos graves.

Se vive num edifício antigo, está a fazer obras ou tem dúvidas sobre a segurança da estrutura, pode pedir uma avaliação a um engenheiro civil especializado em estruturas. Este profissional consegue analisar se a casa apresenta fragilidades relevantes em caso de sismo.

Não é possível evitar um sismo, mas é possível reduzir riscos. Muitas medidas são simples e podem fazer diferença.

  • Fixe móveis altos, estantes, armários e objetos pesados à parede.
  • Coloque objetos pesados nas prateleiras mais baixas.
  • Evite colocar espelhos, quadros pesados ou prateleiras por cima de camas e sofás.
  • Saiba onde estão os pontos de corte de água, eletricidade e gás.
  • Prepare uma pequena mochila de emergência com lanterna, pilhas, rádio, primeiros socorros, medicamentos essenciais e cópias de documentos.
  • Defina um ponto de encontro familiar.

A regra principal é simples: Baixar, Proteger e Aguardar.

Estes são os três gestos promovidos pela iniciativa A Terra Treme, organizada pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para sensibilizar a população para o risco sísmico.

Se estiver dentro de casa:

  • baixe-se para evitar cair e proteja a cabeça e o pescoço;
  • abrigue-se debaixo de uma mesa resistente, se possível;
  • afaste-se de janelas, espelhos, armários e objetos que possam cair;
  • não utilize elevadores.

Se estiver na rua:

  • afaste-se de edifícios, postes, muros, árvores e cabos elétricos;
  • procure uma zona aberta;
  • mantenha a calma e aguarde que o abalo termine.
  • Verifique se há feridos e peça ajuda apenas em caso de emergência.
  • Corte a água, eletricidade e gás se houver suspeita de fuga ou dano.
  • Não acenda fósforos ou isqueiros se sentir cheiro a gás.
  • Evite usar o telefone, exceto em situações urgentes.
  • Esteja atento a possíveis réplicas.
  • Siga as indicações da Proteção Civil.

Ter um seguro multirriscos habitação não significa, automaticamente, estar protegido contra danos causados por sismos. A cobertura de fenómenos sísmicos é facultativa e deve estar contratada para que estes danos possam estar cobertos.

Esta cobertura pode ajudar a suportar os prejuízos provocados por um sismo na habitação, no recheio ou em ambos, consoante o que estiver previsto na apólice.

Ainda assim, esta proteção continua pouco presente em Portugal: segundo a Associação Portuguesa de Seguradores, apenas 19% das habitações têm seguro com cobertura de risco sísmico. Por isso, vale a pena confirmar se a sua apólice inclui esta cobertura e se está ajustada às características da sua casa.

Ao rever o seguro casa, confirme:

  • se tem cobertura de fenómenos sísmicos;
  • se a proteção inclui edifício, recheio ou ambos;
  • se o capital seguro está atualizado;
  • qual é a franquia aplicável;
  • que exclusões e limites estão previstos;
  • se existem coberturas complementares, como remoção de escombros, demolição ou alojamento temporário, quando disponíveis.

Em caso de dúvida, fale com o seu mediador ou segurador para perceber se a apólice está adequada às suas necessidades.

 
  • Falar de sismos é uma forma de tomar decisões mais conscientes: em casa, na forma como nos preparamos e na proteção que escolhemos. 
  • Portugal tem risco sísmico, mas também tem conhecimento técnico, entidades de referência e recomendações claras de autoproteção. O essencial é transformar esse conhecimento em pequenos gestos: rever a casa, fixar objetos, conhecer as regras básicas de segurança e confirmar se o seguro inclui a cobertura certa.

  • Porque, quando falamos da nossa casa, prevenir continua a ser uma das melhores formas de proteger o que é mais importante.

Este artigo tem um caráter informativo e não substitui a consulta das condições contratuais da sua apólice. Publicado em julho de 2026
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