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Nanoprata

Nano materiais: Demasiado pequenos para nos preocupar?

A nano tecnologia, que em tempos não passava de ficção científica, tornou-se uma realidade. A Nano Prata é agora utilizada numa vasta quantidade de produtos do dia-a-dia, desde roupas a utensílios de cozinha. Um estudo da delegação alemã da organização Amigos da Terra, aponta os malefícios para a saúde.

Na medicina, a prata é há muito conhecida como a assassina de germes, tendo sido frequentemente utilizada para combater infeções antes do desenvolvimento dos antibióticos.

 

De um ponto de vista molecular, as características antibióticas da prata podem ser ampliadas com grande precisão. Os cientistas tem utilizado em laboratório nano partículas da prata para matar as bactérias da cólera e da febre tifoide.

 

A indústria introduziu a nano prata no nosso dia-a-dia. Na Alemanha, é muito fácil de conseguir uma dose diária de nano prata: existem mais de 300 produtos em comercialização que contêm nano prata. Pode ser encontrada na pasta de dentes, no sabão e nos detergentes para a roupa. Camadas de iões de nano prata previnem os germes de se espalharem nos computadores, tinta das paredes, ou nas maçanetas das portas. Diz-se que, quando introduzida em têxteis, a nano prata melhora a qualidade e o conforto das roupas uma vez que as deixam menos propensas a vincos, manchas e odores causados por bactérias.

 

Os benefícios da nano prata estão agora a ser questionados

 

A Organização Alemã para a Conservação da Natureza (BUND), uma subsidiária da Organização "Amigos da Terra", publicou um estudo no passado mês de Dezembro sobre os possíveis malefícios dos efeitos secundários da nano prata na saúde.

 

O Dr. Heribert Wefers, especialista químico da BUND e conselheiro do estudo explica os potenciais riscos: "Pode ser assumido que a utilização massiva da nano prata, especialmente em têxteis e detergentes leve a uma elevada concentração de prata nos esgotos. A prata não é biodegradável e por esse motivo irá acumular-se e contaminar os despojos".

 

Se os despojos são posteriormente usados como fertilizantes, os elementos antibacterianos da prata começarão a atacar os germes e os microrganismos do solo. Já foi provado que a Prata pode ser tóxica para vários organismos incluindo alguns fungos, algas, plantas e até mesmo peixes.

 

As consequências para os humanos poderão ser mais severas

 

O Dr. Wefers afirma que existem casos médicos, como a cura de ferimentos expostos ou de queimaduras extensas, onde se utiliza a nano prata desnecessariamente: "é uma ameaça séria para a nossa saúde se os germes perigosos ou as bactérias desenvolverem uma resistência à prata devido ao uso exagerado das suas nano partículas. A acontecer o maior beneficio na utilização da prata desaparecerá".

 

Um estudo semelhante, lançado em 2008 pelo Instituto de Pesquisa Médica de Queen's, na Universidade de Edimburgo, chega a comparar a inalação de nano partículas com a inalação de pequenas fibras conhecidas por serem causadoras de cancro. As partículas são mil vezes mais pequenas que o diâmetro de um cabelo humano, podem passar facilmente através da membrana das células ou dissolver-se nos vasos sanguíneos e coagular órgãos internos ou o cérebro.

 

A maior preocupação é a dificuldade que um consumidor tem em estimar o seu próprio consumo ou exposição à nano prata e outros nano materiais.



De acordo com o BUND esta realidade tem de mudar. Já em 2008, houve avisos sobre os potenciais perigos da comida enriquecida, como os queijos processados ou os vegetais enlatados. A BUND considera essencial que haja uma educação do consumidor. Marcar os produtos que contenham nano materiais é essencial para que nos possamos tornar conscientes dos seus riscos.

 

Vários produtores continuam assustados com a reação dos consumidores a esta informação. Neste sentido, a BUND alerta para a urgência de serem os próprios governos a introduzir a obrigatoriedade de marcar os produtos que utilizem nano tecnologia, tal como acontece com a identificação de produtos alimentares geneticamente alterados.



No que respeita aos cosméticos, a campanha para uma maior transparência tem sido um sucesso. "A partir de 2012, a utilização de nano materiais nos cosméticos deverá ser anunciada pela utilização do prefixo nano aos elementos correspondentes. É nossa esperança que a mesma obrigatoriedade seja alargada ao sector alimentar", afirma o Dr. Wefers.

 

Mais informação em: Allianz Knowledge

            05/03/2010

 
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